Foto:
Antonio Cruz/ Agência Brasil
por
Bepe Damasco, no Blog do Bepe
Não
agora, pois se beneficiará dos efeitos de um país doente, com instituições e
mídia monopolista manchadas pelo golpismo mais infame. Mas o Supremo Tribunal
Federal não escapará do veredicto da história. Ao permitir que um bandido como
Cunha ficasse de mãos livres para agir, a mais alta corte do país escreveu mais
uma página triste de sua história.
Só
o apoio à tese da ruptura da ordem democrática a qualquer preço, embora velado
e escamoteado, pode explicar a omissão da Corte diante das manobras de um
criminoso. Em dezembro do ano passado, ou seja, há longos cinco meses, o
procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhou ao Supremo pedido de
afastamento de Cunha da presidência da Câmara dos Deputados.
O
procurador, por sua vez, já demorara uma eternidade para pedir providências ao
STF. Abro um parênteses : imaginem a celeridade tanto da PGR como do Supremo se
por ventura o presidente da Câmara fosse do PT ? Fecho parênteses. Então, não
cabe mais especulações sobre a demora do Supremo em apreciar o caso Cunha.
Passaremos
atestado de burro para nós mesmos se dermos ouvidos a quaisquer justificativas
burocráticas, regimentais, etc, para essa absurda e pusilânime demora. Não é
crível que os senhores ministros sessentões e setentões não soubessem que Cunha
na presidência da Câmara conduziria, apoiado pelo bando de zumbis que o cerca
no parlamento, um processo de impeachment ilegal, sem crime de
responsabilidade, cheio de vícios e levado adiante com toda sorte de
molecagens.
E
aí não é possível livrar a cara de nenhum dos ministros. Por ação ou omissão,
em maior ou menor grau, todos carregarão essa macha em sua biografias. Claro
que cabe distinções quanto ao padrão de conduta jurídica e moral que exibem.
Nada se compara em termos de partidarização mesquinha, e da falta de mínimo de
compostura exigida dos verdadeiros juízes, a Gilmar e Tofolli.
Feita
a ressalva, a inação do presidente Lewandowski, Barroso, Zavaschi (que chegou a
dizer que não há prazo para o julgamento de Cunha) e Marco Aurélio (que se
limitou a apontar a fragilidade da acusação contra Dilma e depois saiu de cena)
é inaceitável e leva à conclusão estarrecedora para a sociedade de que mesmo as
melhores cabeças da Suprema Corte acabaram se curvando à vilania do golpe.
O
Supremo permitiu que Cunha, maior expoente da escória da política e acusado de
um sem número de crimes, liderasse um processo para apear do poder uma
mandatária eleita com 54 milhões de votos.
Por isso, a instituição STF é
parte fundamental do golpe e caminha para mais uma condenação no implacável
tribunal da história.
Depois
de ter recentemente chancelado a farsa montada pela Ação Penal 470, nítida
encenação político-midiática para ferir o PT, agora suas excelências abdicam da
prerrogativa fundamental de defender a Constituição, revivendo episódios
abjetos do passado.
Vale
lembrar que o Supremo carrega a nódoa de ter grande responsabilidade pela
deportação de Olga Benário Prestes, para ser assassinada num campo de
concentração nazista, pela cassação do registro do Partido Comunista do Brasil
em 1947 e pela validação, em 1964, da manobra golpista de decretar a vacância
da presidência quando Jango se encontrava em território nacional.
Fonte:
ocafezinho
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