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Indústria naval foi arruinada pela Lava Jato



247 - Profundamente afetado pelo redimensionamento da Petrobras após o início da Lava-Jato, o setor naval demitiu quase 50 mil pessoas em dois anos. Dados do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval) mostram que o setor empregava em 35 mil pessoas em dezembro: em 2014, ele representava 82,5 mil vagas. Para especialistas, tendência é que demissões persistam também neste ano, diante do plano de desinvestimento da estatal, da perspectiva remota de novos pedidos de sondas e plataformas e da suavização das regras de exigência de conteúdo local na cadeia de óleo e gás definida na semana passada pelo governo.

As informações são de reportagem do Valor.

"Entre os Estados mais afetados pela crise no setor estão Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul. O primeiro, onde a cadeia é mais diversificada, tem número recorde de empreendimentos parcial ou totalmente paralisados - Estaleiro Ilha S.A. (Eisa), que entrou com pedido de recuperação judicial ainda em 2015, Mauá, Vard Promar e Aliança, os três localizados em Niterói, e Enseada, em Inhaúma, consórcio entre a japonesa Kawasaki e Odebrecht, OAS e UTC, investigadas na operação Lava-Jato.

Balanço feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta corte de 21,3 mil vagas só no Estado entre 2014 e 2016. No país inteiro, o volume de empregos contraiu de 71,5 mil para 43,6 mil entre os dois períodos. O levantamento foi feito através das bases da Rais e do Caged - e, por isso, tem números diferentes daqueles do Sinaval, que colheu dados diretamente com as empresas.

Diante dos pedidos residuais, do escasseamento de novos contratos e sem o estímulo da Petrobras, principal indutor de seu renascimento na última década, a indústria naval tem perspectiva remota de retomada, avalia o professor de engenharia oceânica da Coppe/UFRJ, Floriano Pires. "O risco é a extinção do setor naval brasileiro". O especialista, que leciona desde 1975, reconhece que a política que alavancou o setor naval nos últimos anos foi baseada em "decisões equivocadas", como a concessão de incentivos fiscais e financiamento público sem a fixação de metas de desempenho.

Mas avalia como equivocada a postura letárgica do atual governo, que não tem procurado instrumentos, como o Fundo da Marinha Mercante, para tentar 'salvar a parte viável' do que já foi investido.'"A ação teria que ser rápida, para não se perder mão de obra qualificada ou as infraestruturas que já foram parcialmente construídas. É um absurdo deixar sonda apodrecer, deixar estaleiro ser tomado pelo mato'."



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